Para os Pacientes

A terapia com células CAR T é um tipo de tratamento contra o cancro que utiliza o próprio sistema imunitário do doente para combater a doença. É uma abordagem nova e promissora, especialmente para alguns tipos de cancros do sangue, como a leucemia e o linfoma.

  • Recolha das células T: As células T são um tipo de glóbulo branco que fazem parte do sistema imunitário e normalmente ajudam a proteger contra infeções. Os médicos começam por recolher estas células T a partir do sangue do doente, normalmente com recurso a leucaferese.
  • Reprogramação das células T: Num laboratório especializado, as células T são reprogramadas para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Os cientistas fazem isto adicionando um novo gene às células T, permitindo-lhes produzir proteínas especiais chamadas recetores quiméricos de antigénio (CARs). Estes CARs funcionam como dispositivos de localização, ajudando as células T a identificar e destruir as células cancerígenas.
  • Multiplicação das células T: Depois de reprogramadas, as células T são cultivadas e expandidas em laboratório em quantidades que permitam obter uma dose clínica.
  • Infusão de volta no corpo do paciente: Após o processo de produção, as células CAR T são recolhidas e introduzidas de volta no corpo do doente através de uma infusão intravenosa. Uma vez dentro do organismo, as células CAR T procuram e destroem as células cancerígenas.

A terapia com células CAR T tem demonstrado resultados promissores em doentes com neoplasias hematológicas e que não responderam às primeiras linhas de tratamento. Na maioria dos casos existe resposta imediata ao tratamento com células CAR T, obtendo remissões prolongadas em cerca de 30% dos doentes. No entanto existem bastantes recidivas, evidenciando a necessidade de continuar a investigação nesta área.

Sim, podem existir efeitos secundários graves. Os médicos monitorizam cuidadosamente os doentes e estão preparados para tratar estes efeitos se surgirem. Os efeitos secundários mais comuns incluem:

Síndrome de libertação de citocinas: Acontece quando o sistema imunitário reage de forma exagerada ao tratamento, causando sintomas como febre alta, tensão arterial baixa ou dificuldade em respirar.

Alterações neurológicas: Algumas pessoas podem sentir confusão, dores de cabeça ou convulsões.

Redução dos glóbulos no sangue: Após o tratamento, pode haver uma diminuição temporária dos glóbulos vermelhos e brancos em circulação.

Atualmente, a terapia CAR T está aprovada para certos tipos de cancros do sangue, sendo geralmente utilizada quando o paciente não responde a outras linhas de tratamento. Os cientistas estão também a estudar a sua aplicação em tumores sólidos (por exemplo, cancro da mama ou pulmão). Para mais informações consulte a sua equipa médica.

A terapia com células CAR T é uma abordagem revolucionária que transforma as próprias células do corpo em armas contra o cancro, tratando-se de uma terapia personalizada. Ainda não está disponível em todas as linhas de tratamento nem para todo o tipo de alvos, tendo maior enfoque em neoplasias hematológicas, e oferecendo uma nova esperança a muitos pacientes oncológicos que esgotaram as linhas anteriores de tratamento.

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